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STF autoriza encontros sem gravação e decisão vira precedente para pedidos de líderes do crime organizado
Defesas de presos, incluindo Marcola, querem usar entendimento concedido ao banqueiro Daniel Vorcaro para garantir conversas reservadas com advogados em presídios federais.
15/03/2026 08h48
Por: F. Silva Fonte: Com informações do Portal Meio Norte

A autorização concedida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que o banqueiro Daniel Vorcaro tenha encontros com advogados no presídio sem gravação das conversas passou a ser usada como precedente em novos pedidos de presos ligados ao crime organizado.

Entre os que pretendem utilizar a mesma estratégia está Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como líder do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A defesa informou que pretende adotar o mesmo argumento utilizado pelos advogados do ex-banqueiro. Outros dois integrantes da facção também já apresentaram pedidos semelhantes à Justiça.

Os presídios federais de segurança máxima no Brasil possuem monitoramento por vídeo e áudio em praticamente todas as áreas, incluindo parlatórios e locais destinados ao atendimento entre presos e advogados. Atualmente, o país conta com cinco unidades federais desse tipo.

A legislação que trata da transferência de presos para penitenciárias federais recebeu, em 2019, um dispositivo que permite gravações ambientais. No entanto, o próprio texto estabelece que o monitoramento não deve ocorrer dentro das celas ou em reuniões entre presos e advogados, salvo quando houver autorização judicial específica.

No Presídio Federal de Brasília — onde estão detidos Vorcaro e Marcola — a autorização mais recente para monitoramento foi concedida em junho de 2025 pela 15ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Distrito Federal.

A decisão permite:

A autorização tem validade de três anos.

Antes de conceder a autorização para Vorcaro se reunir com seus advogados sem gravação, o ministro André Mendonça consultou a Polícia Penal Federal. O órgão se manifestou contra a medida, argumentando que o monitoramento é considerado fundamental para a segurança do sistema penitenciário federal.

Apesar disso, o tema segue gerando divergências dentro do próprio sistema de Justiça. Há discussões antigas sobre o limite entre a segurança nos presídios e o sigilo das conversas entre advogado e cliente, princípio garantido pelo direito de defesa.

Da Redação.