Os recentes ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã reacenderam preocupações no agronegócio brasileiro sobre possíveis impactos nas relações comerciais com o país persa. A ofensiva também elevou os preços do petróleo nos mercados internacionais, o que pode pressionar custos de produção e logística para o setor agrícola. (CNN Brasil)
Em 2025, o Brasil exportou cerca de US$ 2,9 bilhões ao Irã, com forte concentração em produtos agrícolas, segundo dados de comércio exterior. O milho liderou a pauta com embarques superiores a US$ 1,9 bilhão, seguido pela soja com cerca de US$ 745 milhões — juntos representando mais de 87% do total exportado ao mercado iraniano.
Do lado das importações, o fluxo é menor, mas estratégico: o Brasil comprou cerca de US$ 84 milhões do Irã em 2025, sendo quase 79% desse valor referente a adubos e fertilizantes, especialmente ureia — insumo essencial para a produção agrícola e cuja escassez ou elevação de preço pode pressionar os custos do campo.
A escalada das tensões no Oriente Médio também tem impacto direto sobre preços de commodities energéticas. Após os ataques, o preço do barril de petróleo saltou no início das negociações, refletindo temores de interrupções no tráfego de navios petrolíferos pelo Estreito de Hormuz, rota vital para cerca de 20% do petróleo mundial.
Na Bahia, onde o agronegócio desempenha papel fundamental na economia, o setor representou cerca de 52% das exportações totais do estado em 2024, com vendas que somaram quase US$ 6,1 bilhões, lideradas por soja e outros produtos agrícolas e com destinos em mais de cem países.
Diante do cenário de instabilidade internacional, agentes do agronegócio monitoram de perto os desdobramentos no Oriente Médio, atentos a possíveis atrasos nas exportações, elevação dos custos de insumos e impacto nos preços globais de commodities. ações como aumento no custo de frete e seguros, decorrentes de riscos logísticos e geopolíticos, também figuram entre as preocupações do setor.
Da Redação.