O governo do Reino Unido avalia apresentar ao Parlamento um projeto de lei para retirar Andrew Mountbatten-Windsor da linha de sucessão ao trono britânico. A iniciativa ganhou força após a detenção do irmão do rei Charles III na última quinta-feira, sob suspeita de má conduta em cargo público. Andrew, atualmente o oitavo na ordem sucessória, permaneceu preso por 11 horas, foi liberado em seguida e nega qualquer irregularidade.
A Polícia do Vale do Tâmisa realizou buscas no Royal Lodge, residência associada ao ex-príncipe, e informou que as diligências devem continuar até segunda-feira. Embora ainda não haja denúncia formal, o caso reacendeu o debate sobre a permanência de Andrew na linha sucessória e os impactos institucionais da situação para a monarquia.
O ministro da Defesa, Luke Pollard, declarou à BBC que a remoção seria “a coisa certa a fazer”, independentemente do desfecho da investigação. Segundo ele, o governo já dialoga com o Palácio de Buckingham para estruturar a proposta legislativa. Caso aprovada, a medida impediria legalmente que Andrew pudesse assumir o trono em qualquer circunstância.
A proposta encontra respaldo de partidos como os Liberal Democrats e o Scottish National Party (SNP), além de parte da bancada trabalhista, embora haja divergências internas quanto ao momento e à conveniência da medida. O debate expõe uma tensão entre a presunção de inocência e a necessidade de preservar a credibilidade da instituição monárquica.
Andrew já havia sido destituído de títulos honoríficos, incluindo o de “príncipe”, em outubro, em meio à pressão pública por seus vínculos com Jeffrey Epstein. Apesar disso, manteve formalmente sua posição na linha de sucessão — um detalhe que agora se torna o centro da controvérsia política.
Para que a mudança tenha efeito, será necessário aprovar um ato formal no Parlamento, com votação na Câmara dos Comuns e na Câmara dos Lordes, além do assentimento real. Como o monarca britânico também é chefe de Estado de outros 14 países da Commonwealth, qualquer alteração nas regras sucessórias depende ainda do consentimento dessas nações, o que amplia a complexidade jurídica e diplomática do processo.
A última situação semelhante remonta a 1936, quando Edward VIII abdicou do trono, provocando mudanças históricas na sucessão. Diferentemente daquele episódio, o caso atual não envolve renúncia voluntária, mas a possibilidade de exclusão por decisão legislativa — um movimento raro que coloca à prova os limites entre tradição, responsabilidade pública e estabilidade institucional.
Da Redação.