Um lavrador foi absolvido por unanimidade pelo Tribunal do Júri de Irecê, no interior da Bahia, acusado de tentativa de homicídio, sequestro e cárcere privado contra o próprio genro. A decisão encerrou um processo que se arrastava por cerca de 10 anos, mas voltou a ganhar repercussão nas redes sociais após a divulgação de trechos do julgamento neste fim de semana.
O caso remonta ao fim de 2015, quando o agricultor, identificado como Luiz Carlos da Silva, recebeu a notícia de que o genro havia agredido sua filha, que estava grávida na época e vinha sendo alvo de violência doméstica. Segundo o processo, a jovem passou a esconder hematomas usando roupas compridas mesmo em dias de calor, o que levantou suspeitas da família. Ele então levou a filha e as netas para sua casa e chamou o genro para uma área rural sob o pretexto de “olhar uns tomates”. Lá, amarrou o homem e o golpeou com um objeto semelhante a chicote, deixando-o com diversos hematomas.
O Ministério Público da Bahia denunciou o agricultor pelos crimes, mas durante o julgamento, realizado em 14 de novembro de 2025, o Conselho de Sentença considerou que não ficou comprovada a intenção de matar. Os jurados entenderam que o réu agiu movido pelo instinto de proteger a filha de um ciclo de violência e, por isso, absolveram-no por unanimidade.
A defesa foi conduzida pela Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE/BA). O defensor responsável, Felipe Ferreira, ressaltou que o réu agiu “movido pela urgência do medo, pela dor e pelo instinto de pai e avô” diante do sofrimento da filha e netas. Durante a sessão, a emoção marcou o julgamento, com o réu chorando em vários momentos diante da possibilidade de ser punido pelos fatos.
O caso reacendeu debates sobre os limites da legítima defesa e a atuação do Estado diante de situações de violência doméstica, com opiniões divididas nas redes e em grupos de discussão jurídica.
Da redação do 40 Graus.