Brasil Toffoli
Edinho Silva critica “pré-julgamento” contra Toffoli e alerta para riscos à democracia
Presidente do PT defende investigação do caso Banco Master, mas condena “linchamento público” e vê ameaça de desgaste institucional do STF.
16/02/2026 11h23
Por: F. Silva Fonte: Com informações do Bahia Notícias

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou neste domingo (15) ser contrário a qualquer tipo de “pré-julgamento” ou “linchamento público” envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que deixou a relatoria do caso Banco Master na última quinta-feira (12).

Toffoli vinha sendo pressionado nas últimas semanas por decisões tomadas na condução do processo e, principalmente, por conexões com um fundo ligado ao caso. A saída da relatoria ocorreu após a Polícia Federal (PF) entregar ao Supremo um relatório que inclui conversas nas quais Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, menciona pagamentos a uma empresa da qual o ministro é sócio.

Segundo Edinho, todas as denúncias devem ser investigadas “para o bem das instituições e da credibilidade do sistema financeiro brasileiro”. No entanto, ele ressaltou que é preciso garantir o direito à ampla defesa e ao contraditório. “Não podemos ser favoráveis ao pré-julgamento e ao linchamento público de ninguém. Já vimos essa prática na Operação Lava Jato, e ela só enfraqueceu a democracia”, declarou.

A referência à Lava Jato é recorrente entre lideranças petistas quando tratam de investigações judiciais. A operação levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à prisão em 2018. Posteriormente, Lula obteve decisões judiciais que anularam suas condenações, o que lhe permitiu disputar novamente a Presidência.

Edinho também afirmou que o modelo de democracia representativa no Brasil está “carcomido” e defendeu uma reforma no Poder Judiciário. Ele, contudo, alertou que a necessidade de mudanças não pode ser confundida com “movimentos fascistas organizados” que buscam enfraquecer as instituições democráticas. “O PT não vai fazer coro com nenhum oportunismo autoritário”, afirmou.

Nos bastidores, integrantes da cúpula do governo demonstram preocupação com o desgaste da imagem do STF em meio ao escândalo envolvendo o Banco Master. Aliados de Lula temem que o enfraquecimento institucional da Corte abra espaço para investidas de grupos bolsonaristas, que defendem o impeachment de ministros do tribunal.

Esses movimentos ganharam força após o STF condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe. O receio, entre governistas, é que a crise alimente o sentimento antissistema e amplifique pressões sobre a Corte.

Embora o governo tenha contado com apoio do Supremo ao longo do atual mandato, a relação entre Executivo e Judiciário pode ter sofrido abalos recentes. Ministros do STF teriam manifestado insatisfação com a atuação de órgãos como a Polícia Federal e a Receita Federal, avaliando que houve excessos na elaboração do relatório que cita Toffoli.

Diante do cenário, a cúpula do governo orientou ministros a evitarem declarações de teor político sobre o caso, numa tentativa de reduzir a temperatura da crise. Ainda assim, o próprio Lula vinha utilizando o episódio para reforçar um discurso de enfrentamento à corrupção. “É a primeira vez na história do Brasil que nós estamos perseguindo os magnatas da corrupção”, afirmou o presidente na última semana.

Com a saída de Toffoli, a relatoria do caso Banco Master foi assumida pelo ministro André Mendonça, indicado ao STF no governo Bolsonaro. De perfil considerado mais discreto, Mendonça é visto por governistas e por setores do próprio tribunal como uma possível figura capaz de arrefecer a crise.

A condução do caso, contudo, será seu primeiro grande teste desde a posse na Corte. Além do processo envolvendo o Banco Master, o ministro também está à frente da investigação sobre descontos irregulares em benefícios do INSS, o que o coloca no centro de apurações de grande repercussão política e institucional.

Da redação.