Brasileiros que vivem nos Estados Unidos têm recorrido ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em busca de apoio consular e, em muitos casos, solicitando ajuda para retornar ao Brasil.
O movimento cresceu nas últimas semanas após o aumento das operações de imigração associadas ao governo Donald Trump, marcadas por ações consideradas agressivas e relatos de mortes, inclusive envolvendo cidadãos americanos.
A situação é especialmente tensa em Minneapolis, no estado de Minnesota, onde uma operação de agentes federais de imigração resultou na morte de cidadãos dos EUA e desencadeou protestos em várias cidades do país. O clima de medo se espalhou rapidamente, afetando comunidades imigrantes, entre elas a brasileira.
Com o aumento das prisões e da insegurança cotidiana, imigrantes passaram a buscar informações, orientação jurídica e apoio do consulado brasileiro.
De acordo com o portal Pragmatismo Político, influenciadores, agentes e grupos de extrema-direita alinhados a Trump tratam estrangeiros de forma generalizada como indesejados, sem distinção entre documentados e indocumentados.
Esse ambiente tem provocado receio não apenas de deportações, mas também de abordagens arbitrárias, uso excessivo da força e desrespeito a direitos constitucionais. O medo atinge trabalhadores, estudantes e famílias inteiras.
A professora de Direitos Humanos e cônsul honorária do Brasil em Minnesota, Kathya Cibelle Dawe, que vive há 16 anos nos Estados Unidos, afirma que o cenário rompe com padrões básicos de previsibilidade institucional. Segundo ela, o temor “vai além de quem não tem documentos”.
“Existe uma tensão permanente. Pessoas que sempre circularam livremente agora pensam duas ou três vezes antes de sair de casa”, relata. Dawe destaca ainda a formação de redes de solidariedade entre imigrantes e cidadãos americanos como resposta ao endurecimento das ações federais.
Da Redação.