O jornalista e escritor Fernando Vita afirmou que a cultura brasileira segue viva, diversa e resistente, mesmo após períodos recentes de forte desvalorização institucional.
A avaliação foi feita durante entrevista concedida à Rádio Metrópole, nesta terça-feira (13), na qual ele comentou manifestações de artistas e conquistas recentes do cinema nacional, como o sucesso do filme O Agente Secreto, vencedor do Globo de Ouro 2026 nas categorias de Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama, prêmio concedido a Wagner Moura.
Ao destacar a reação do ator após a premiação, Vita ressaltou o simbolismo da fala de Wagner Moura em defesa da cultura. “Fico muito feliz e me parece que a primeira manifestação de Wagner foi ‘viva a cultura’.
A forma como a cultura havia sido encarada nos tempos terríveis que vivemos não era só desnecessária, mas algo a ser massacrado”, afirmou, ao se referir ao período do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para o jornalista, o atual momento representa uma reafirmação da força cultural do país no cenário nacional e internacional.
Ele citou o reconhecimento recente de artistas brasileiros como sinal de que a produção cultural continua pulsante. “E, de repente, Fernanda ganha prêmios, Wagner também, e a cultura vai sobrevivendo, vai existindo.
O Brasil é esse conjunto de manifestações das mais diversas e tão diferentes em cada pedaço dele que é impossível não sermos protagonistas também nesse lado”, avaliou.
Segundo Vita, a valorização dessas conquistas contribui diretamente para a autoestima nacional. “Não somos só o país do futebol; somos do cinema, da literatura, do rádio, da televisão. Isso é muito bom para a nossa autoestima”, destacou.
Durante a entrevista, o escritor também fez uma reflexão histórica sobre a formação da identidade brasileira, questionando a ideia de que o país teria começado apenas com a chegada da família real portuguesa.
“Sempre imaginamos que o verdadeiro Brasil começou a nascer depois que a família real veio para cá. Mas aqui já existia um país: indígenas, negros e europeus construindo uma civilização completamente diferente do que depois veio se agregar com a chegada da família real”, pontuou.
Para Fernando Vita, a construção do Brasil vai além da simples reprodução de modelos europeus. “A síntese do que é o país é muito mais do que aquela simples transferência de um modelo de civilização que existia na Europa na época. Aqui já existia um país completamente diferente sendo criado”, concluiu.
Da Redação.