Polícia Prisão
Visita ao LinkedIn leva ex-assessor presidencial à prisão preventiva
Episódio reacende discussão sobre limites das medidas cautelares e o peso de denúncias digitais na decretação de prisões.
02/01/2026 11h06
Por: F. Silva Fonte: Com informações do BNews

O coronel aviador da reserva da Força Aérea Brasileira (FAB), Ricardo Wagner Roquetti, enviou no final de dezembro um e-mail ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), informando um possível descumprimento de medida cautelar pelo ex-assessor presidencial Filipe Martins.

A comunicação acabou motivando a prisão preventiva de Martins, decretada na manhã desta sexta-feira (2). 

Segundo o relato de Roquetti, Martins teria consultado em 28 de dezembro o perfil do militar na rede social LinkedIn enquanto estava em prisão domiciliar — período em que, por determinação judicial, estava proibido de acessar plataformas digitais.

O coronel afirmou não ter qualquer vínculo pessoal ou profissional com o ex-assessor que justificasse a visualização e observou que o próprio sistema da plataforma identificou o visitante pelo nome e perfil de Martins.

Roquetti destacou no e-mail que não podia confirmar se o acesso foi feito diretamente por Martins ou por terceiros, mas considerou que o episódio poderia configurar violação das medidas cautelares impostas pelo STF e justificava a comunicação às autoridades competentes. Ele ainda solicitou que sua identidade fosse mantida sob sigilo — pedido que não foi atendido, e o teor da mensagem foi incorporado ao despacho do ministro.

Com base na denúncia, Moraes convocou a defesa de Martins para prestar esclarecimentos. Após analisar as informações, o ministro entendeu que houve desrespeito às condições da prisão domiciliar e decidiu converter a medida cautelar em prisão preventiva, cumprida pela Polícia Federal na residência do ex-assessor em Ponta Grossa (PR).

A defesa de Filipe Martins nega que ele tenha se utilizado quaisquer redes sociais durante o período de restrição, afirmando que as contas digitais atribuídas a ele estão sob gestão exclusiva de seus advogados e que qualquer eventual acesso teria fins técnicos de organização de defesa. 


Da Redação.