O Senado ainda não votou a indicação de Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), nome escolhido pelo presidente Lula. A aprovação depende de maioria na Casa, mas o processo foi afetado por atritos recentes entre o Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Um dos principais aliados do governo na articulação política, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), perdeu interlocução com Alcolumbre após o anúncio da indicação.
No mesmo dia, o presidente do Senado pautou a votação do projeto que cria aposentadoria especial para agentes de saúde, medida de alto impacto fiscal e contrária à posição do governo.
Aliados de Lula interpretaram a iniciativa como retaliação e a classificaram como “pauta-bomba”.
Alcolumbre reagiu publicamente às críticas, afirmando que sempre apoiou o governo em momentos decisivos e lembrando projetos aprovados pelo Congresso a pedido do Executivo, como o programa Pé-de-Meia, que, segundo ele, terá custo anual de R$ 12 bilhões. O senador disse estar indignado com as acusações de irresponsabilidade fiscal.
Os atritos se intensificaram após declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cobrando responsabilidade fiscal do Congresso, e de Lula, que afirmou que o Legislativo teria “sequestrado” o Orçamento por meio das emendas parlamentares.
Nas últimas semanas, porém, o clima começou a melhorar. Lula conversou com senadores influentes próximos de Alcolumbre, como Weverton Rocha, Otto Alencar, Omar Aziz, Eduardo Braga e Renan Calheiros. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), também atuou para reaproximar Executivo e Legislativo.
Após a última sessão do Congresso em 2025, Lula e Alcolumbre conversaram por telefone e, dias depois, se encontraram pessoalmente. O presidente agradeceu ao senador pela aprovação de projetos de interesse do governo e sondou o ambiente para a indicação de Messias, mas não houve definição. A decisão ficou para fevereiro, com a retomada dos trabalhos legislativos.
Aliados de Alcolumbre avaliam que a relação com Lula ainda não voltou ao patamar anterior, mas enxergam uma tendência de melhora. Além da indicação ao STF, outros focos de tensão permanecem, como o atraso na aprovação de nomes para agências reguladoras, que mantém cargos importantes vagos, e divergências no setor de Minas e Energia, que quase levaram à rejeição de medidas provisórias do governo.
Fonte: Bahia Notícias.