O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu não assinar o comunicado conjunto divulgado por um grupo de países do Mercosul que pede o restabelecimento da democracia e o respeito aos direitos humanos na Venezuela.
A decisão foi tomada durante a cúpula do bloco realizada em Foz do Iguaçu (PR) e contou com o alinhamento do presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, que também ficou fora do documento.
O texto foi articulado à margem do encontro por países liderados pela Argentina e acabou evidenciando divisões internas no Mercosul em relação à forma de lidar com a crise venezuelana. Assinaram o comunicado Argentina, Paraguai, Panamá, Bolívia, Equador e Peru.
Segundo avaliação do Palácio do Planalto, um posicionamento formal desse tipo poderia ser interpretado por autoridades dos Estados Unidos como um sinal de apoio a uma eventual ação militar contra a Venezuela — cenário que Lula rejeita publicamente.
O presidente brasileiro já afirmou, em diferentes ocasiões, ser contrário a qualquer tipo de intervenção armada no país vizinho.
Apesar de não subscrever o documento, o governo brasileiro mantém o discurso de defesa do diálogo e de soluções pacíficas para a crise venezuelana. Já o comunicado assinado pelos demais países destaca o “firme compromisso de alcançar, por meios pacíficos, a plena restauração da ordem democrática e o respeito irrestrito aos direitos humanos na Venezuela”, reforçando a pressão diplomática sobre o regime de Nicolás Maduro.
O episódio expõe não apenas a complexidade do tema dentro do Mercosul, mas também as diferenças de estratégia entre os governos da região sobre como conduzir a questão venezuelana no cenário internacional.
Da Redação do 40 Graus.