O jurista e professor José Geraldo de Sousa retomou uma das reflexões mais provocativas do filósofo francês Roland Barthes: a ideia de que “a língua é fascista”. Em entrevista ao Jornal da Bahia no Ar, nesta sexta-feira (4), Sousa explicou como estruturas linguísticas influenciam o modo como pensamos, sentimos e nos expressamos.
Segundo ele, Barthes não tratava de censura explícita, mas da imposição sutil que a língua exerce sobre os falantes.
“A língua é fascista porque nos obriga a dizer determinadas coisas de um modo específico. É uma forma de redução semântica da nossa condição existencial”, afirmou o jurista.
Sousa destacou que essa opressão simbólica aparece em instrumentos considerados neutros, como dicionários. Ele citou o exemplo do verbete “honestidade” no Aurélio, que historicamente apresentou definições distintas para homens e mulheres:
— Para homens, o termo se relacionava à probidade e à administração correta de bens;
— Para mulheres, era associado à castidade e à virtude doméstica.
O professor lembrou que movimentos sociais, especialmente o feminista, têm sido fundamentais para questionar e transformar essas estruturas.
“A linguagem não é neutra. Ela carrega ideologia e reproduz desigualdades. As mudanças sociais pressionam essas normas linguísticas e jurídicas a se atualizarem.”
Fonte: Portal Metro1.