O mercado do feijão passou a semana praticamente parado, com baixa liquidez e negociações limitadas. Segundo Evandro Oliveira, analista da Safras & Mercado, o feriado prolongado reduziu a movimentação nas regiões produtoras e na Zona Cerealista de São Paulo, aumentando a estagnação e a especulação.
As tratativas ocorreram com forte divergência entre vendedores e compradores, especialmente nos padrões entre 7,5 e 8,5. Os vendedores pediram entre R$ 210 e R$ 250/sc CIF São Paulo, enquanto compradores resistiram devido ao preço e à qualidade dos lotes.
Oferta cresce, mas vendas não avançam
Com o avanço da colheita, aumentaram as ofertas de feijões recém-colhidos no interior paulista, sobretudo lotes nota 8,5. Mesmo com a chegada de feijões de qualidade superior (nota 9,5), vindos de MG, SP e GO, a liquidez continuou limitada. Entre os poucos negócios, o feijão extra 9,5 saiu a R$ 260/sc e o 8,5 entre R$ 235 e R$ 240/sc.
Cotações regionais mostram oscilações
Nas regiões produtoras, o cenário foi de preços nominais e baixa movimentação. Em Goiás, houve forte queda (grão extra até R$ 223/sc), enquanto Barreiras (BA) registrou leve alta (até R$ 227/sc). As médias semanais de São Paulo (+1,3%) e Bahia (+3,43%) refletem a falta de lotes de qualidade, e não aumento de demanda.
Feijão preto enfrenta inércia total
O feijão preto teve semana ainda mais parada, sem compradores e com cotações em queda. Mesmo com ampla oferta e vendedores dispostos a reduzir preços, a indústria permaneceu fora do mercado aguardando maior clareza sobre a safra e o consumo.
Safra avança, mas demanda preocupa
O plantio da safra 2025/26 no Paraná está praticamente concluído (99%), mas com queda histórica de 40% na área, principalmente no feijão preto. Apesar de boas condições das lavouras, o setor teme demanda insuficiente. No país, o plantio atingiu 39,5%, abaixo do ritmo do ano anterior.
Os preços seguem recuando: no interior paulista, máximas de R$ 148/sc; no Paraná, em torno de R$ 134/sc. As médias estaduais reforçam a tendência: RS -2,44% e PR -1,97%.
Tendência segue lateral
Para Oliveira, a combinação de ampla oferta, fraca demanda e proximidade da nova safra mantém o mercado sem direção. A reação dos preços dependerá do retorno da indústria após a normalização pós-feriado.
Fonte: Portal do Agornegócio.