O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, ordenou nesta sexta-feira (24), o envio de um grupo de ataque naval — que inclui o maior porta-aviões do mundo, navios de guerra e aeronaves de combate — para o mar do Caribe, em meio à crescente tensão entre Washington e Caracas.
Segundo o Pentágono, o grupo de ataque USS Gerald Ford foi destacado para a região da América Latina.
O grupo de ataque americano é composto pelas seguintes embarcações e aeronaves:
Porta-aviões USS Gerald Ford (CVN-78);
Três destróieres: USS Mahan, USS Bainbridge e USS Winston Churchill;
Três esquadrões de caças F-18;
Dois esquadrões de helicópteros de ataque MH-60;
Veículos de monitoramento e suporte logístico.
Essas forças se somam à já significativa presença militar dos Estados Unidos no mar do Caribe, que inclui diversos navios de guerra, jatos de combate, helicópteros de operações especiais e aviões bombardeiros.
O USS Gerald R. Ford é o maior e mais moderno porta-aviões do mundo, segundo a Marinha dos EUA. Incorporado ao arsenal americano em 2017, é considerado um avanço tecnológico e estratégico sem precedentes.
A embarcação tem capacidade para abrigar até 90 aeronaves, incluindo caças e helicópteros, e conta com sistemas de decolagem eletromagnética, pista de pouso de alta eficiência e infraestrutura para operações de longa duração.
O envio do grupo de ataque foi descrito pela imprensa americana como uma “escalada expressiva” e uma “grande expansão da campanha de pressão militar” contra a Venezuela.
De acordo com a agência Reuters, a movimentação representa um “drástico aumento” no número de tropas e aeronaves americanas na região latino-americana.
“A presença reforçada das forças dos EUA na área de responsabilidade do US SOUTHCOM aumentará a capacidade dos EUA de detectar, monitorar e interromper atores e atividades ilícitas que comprometem a segurança e a prosperidade do território norte-americano e nossa segurança no Hemisfério Ocidental”,
declarou o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell.
As tensões entre Estados Unidos e Venezuela vêm crescendo rapidamente. Segundo relatos, dez barcos venezuelanos foram bombardeados no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, o que aumentou as preocupações com uma possível operação militar direta de tropas americanas em território venezuelano.
Desde agosto de 2025, o governo Trump tem designado cartéis de drogas sul-americanos como organizações terroristas, autorizando operações militares para interromper o fluxo de drogas para os Estados Unidos.
Washington acusa o presidente venezuelano Nicolás Maduro de chefiar o Cartel de Los Soles, e recentemente dobrou a recompensa por sua captura para US$ 50 milhões (aproximadamente R$ 269 milhões).
Maduro, por sua vez, denuncia que o verdadeiro objetivo da ofensiva americana é removê-lo do poder. Em discurso feito na quinta-feira, o presidente venezuelano fez apelos em inglês contra uma possível intervenção, dizendo:
“No crazy war, please.”
Trump, entretanto, afirmou que ações terrestres contra cartéis de drogas podem ocorrer “em breve”, sem citar diretamente a Venezuela. O líder americano também declarou que Maduro “ofereceu tudo” — numa referência aos recursos naturais do país — para evitar uma intervenção militar, oferta que teria sido recusada por Washington.
Relatórios recentes da Organização das Nações Unidas (ONU) questionam a justificativa oficial das operações americanas.
O Relatório Mundial sobre Drogas de 2025, da agência da ONU para Drogas e Crimes, aponta que a principal substância responsável por overdoses nos EUA, o fentanil, vem majoritariamente do México, e não da Venezuela.
Mesmo assim, a frota militar americana foi enviada para o mar do Caribe, distante da costa mexicana, próximo à Venezuela — o que reforça as suspeitas de que a mobilização tenha objetivos políticos e estratégicos, e não apenas de combate ao narcotráfico.