Pesquisadores do Centro de Conservação e Restauração da UFMG (Cecor) e peritos da Polícia Federal concluíram que 186 obras de arte originais foram danificadas durante os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023 em Brasília. O valor de mercado dessas peças soma R$ 20 milhões, com R$ 12 milhões estimados em prejuízo decorrente dos danos.
A avaliação levou em conta fatores além do valor comercial, como relevância estética, histórica, patrimonial e cultural das obras.
Entre os casos mais emblemáticos da perícia estão:
Um relógio suíço do século XVII, avaliado em R$ 215.855,20, com danos estimados em R$ 194.269,68.
O icônico quadro “As Mulatas”, de Di Cavalcanti, avaliado em R$ 7.235.925,10, com prejuízo calculado em R$ 4.341.561,06.
O relatório produzido pode servir como prova material em processos judiciais contra os responsáveis pela depredação, reforçando a dimensão simbólica, cultural e financeira do ataque.
Logo após os eventos de 8 de janeiro de 2023, a Polícia Federal e o Cecor da UFMG desenvolveram uma metodologia inédita para valorar danos a bens culturais, indo muito além do conceito puramente venal. A técnica diferencia o “valor do dano” — que considera a perda de autenticidade e originalidade irreparáveis — do custo de restauro. Mesmo restauradas, as peças não retornam ao seu estado original, e essa metodologia busca refletir isso no cálculo dos prejuízos.
A parceria entre a PF e a UFMG envolveu um grupo multidisciplinar liderado por docentes e peritos especializados. Os laudos produzidos com essa metodologia têm sido usados como base sólida em decisões judiciais, incluindo no Supremo Tribunal Federal (STF).
No total, foram 188 obras — entre pinturas, esculturas, tapeçarias e móveis — vandalizadas nos três Poderes (128 no STF, 29 na Câmara, 16 no Planalto e 15 no Senado), com prejuízos estimados em dezenas de milhões de reais.
Os trabalhos de restauro progrediram:
No Senado, de 21 obras danificadas, 19 já foram restaurada.
No STF, mais de R$ 12 milhões foram gastos entre danos e reconstruções.
No Congresso e Planalto, os valores de reparação também foram significativos, apesar de parte dos acervos ainda não ter sido restaurada ou sequer precificada.
O relatório da UFMG e da PF evidencia a gravidade simbólica e material dos ataques: não se trata apenas de vidros quebrados ou carpetes rasgados, mas de patrimônio cultural irreversivelmente dañado. As peças restauradas carregam cicatrizes que traduzem um capítulo sombrio da história recente — e agora se tornam provas concretas da barbárie que atingiu a alma cultural da República brasileira.
Título Alternativo (não sensacional):
Perícia da PF e UFMG estima R$12 milhões em danos a 186 obras originais nos atos de 8 de janeiro de 2023.
Da Redação do 40 Graus.