O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou duramente, nesta quarta-feira, a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, medida que classificou como “inaceitável interferência na Justiça brasileira” e motivada por razões políticas.
Através de um comunicado oficial à imprensa, Lula afirmou que o Brasil é um “país soberano e democrático, que respeita os direitos humanos e a independência entre os Poderes”. Ele prestou solidariedade ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), alvo de sanções por meio da Lei Magnitsky, articuladas pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) junto à Casa Branca.
“O governo brasileiro se solidariza com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, alvo de sanções motivadas pela ação de políticos brasileiros que traem nossa pátria e nosso povo em defesa dos próprios interesses”, disse o presidente.
Lula ressaltou que a independência do Judiciário é um dos pilares da democracia brasileira e que qualquer tentativa de enfraquecê-lo representa uma ameaça ao regime democrático.
“Justiça não se negocia”, afirmou.
No comunicado, o presidente também classificou como “injustificável o uso de argumentos políticos para validar as medidas comerciais anunciadas pelo governo norte-americano contra as exportações brasileiras”.
Lula destacou que a legislação brasileira é aplicada de forma igualitária a todos, inclusive às grandes empresas de tecnologia.
“No Brasil, a lei é para todos os cidadãos e todas as empresas. Qualquer atividade que afete a vida da população e da democracia brasileira está sujeita a normas. Não é diferente para as plataformas digitais”, pontuou.
Apesar da escalada de tensões comerciais e da falta de abertura ao diálogo por parte dos Estados Unidos, o governo brasileiro afirmou que segue disposto a negociar, mas não abrirá mão dos instrumentos de defesa previstos em sua legislação.
“A motivação política das medidas contra o Brasil atenta contra a soberania nacional e a própria relação histórica entre os dois países. O Brasil tem acumulado nas últimas décadas um significativo déficit comercial em bens e serviços com os Estados Unidos”, disse o presidente.
Por fim, Lula afirmou que seu governo já iniciou uma avaliação sobre os impactos das medidas norte-americanas e está elaborando ações para proteger os trabalhadores, empresas e famílias brasileiras afetadas pelas sanções.
Com informações do BNews.