A Tailândia e o Camboja anunciaram, nesta segunda-feira (28), um acordo de cessar-fogo para pôr fim aos confrontos armados que se intensificaram nos últimos cinco dias na fronteira entre os dois países. Os embates resultaram em pelo menos 30 mortes e forçaram cerca de 200 mil pessoas a deixarem as suas casas em áreas próximas à linha divisória.
O entendimento foi firmado durante uma reunião diplomática realizada na Malásia, com a presença dos primeiros-ministros tailandês Phumtham Wechayachai e o cambojano Hun Manet, e mediada pelo premiê malaio Anwar Ibrahim, que atualmente preside, de forma rotativa, a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).
A trégua entra em vigor à 0h de terça-feira (29), no horário local, e prevê a retirada gradual das tropas posicionadas ao longo da fronteira e o retorno dos civis às suas regiões de origem, sob monitoramento de observadores da Asean.
Durante o encontro, os líderes dos dois países trocaram agradecimentos públicos e elogiaram o papel da diplomacia regional. Ambos também reconheceram o apoio dos Estados Unidos, em especial do presidente Donald Trump, que, segundo fontes diplomáticas, encorajou o diálogo direto entre os países e ofereceu suporte logístico às ações humanitárias.
Os conflitos armados tiveram início na última quarta-feira (23), em meio a disputas territoriais históricas envolvendo uma área de floresta densa e ruínas antigas, incluindo o Templo de Preah Vihear, que já foi motivo de tensões anteriores. A região é alvo de reivindicação pelos dois países, apesar de uma decisão da Corte Internacional de Justiça (CIJ), de 2013 reconhecer a soberania cambojana sobre o templo.
A expectativa agora é que o acordo de cessar-fogo seja o primeiro passo para a reabertura de negociações formais sobre a demarcação de fronteiras, com mediação da Asean e apoio da comunidade internacional.
Da Redação do 40 Graus.