Lideranças da oposição ao governador Jerônimo Rodrigues (PT), preparam uma estratégia para enfraquecer a influência do PT na zona rural da Bahia e impulsionar a pré-candidatura de ACM Neto (União Brasil), ao governo estadual em 2026. A zona rural foi determinante para a derrota de Neto em 2022 e segue como desafio central.
A ofensiva prevê o mapeamento de lideranças em cerca de 30 distritos estratégicos ligados à agricultura familiar — setor dominado pelo PT. Após isso, a meta é avançar sobre distritos menores onde Jerônimo teve vitória expressiva.
A zona rural representa cerca de 25% do eleitorado baiano. Por isso, apesar da dificuldade imposta pela força do governo estadual e seus programas sociais nesses redutos, a oposição considera essencial conquistar parte desse eleitorado.
A movimentação ocorre com discrição para evitar reações do Palácio de Ondina. Internamente, o governo Jerônimo também enfrenta insatisfações: o secretário de Infraestrutura, Sérgio Brito (PSD), é acusado de usar a pasta para fins eleitorais, o que tem gerado atritos com parlamentares da base.
Análise:
Um dos principais obstáculos que ACM Neto enfrentará na tentativa de cooptar lideranças políticas do interior da Bahia é a falta de ferramentas concretas para negociação. Sem cargos, verbas ou obras para oferecer — elementos que historicamente pesam nas decisões de apoio no interior —, o ex-prefeito de Salvador depende exclusivamente de promessas e projeções futuras, o que reduz significativamente seu poder de convencimento. Muitos desses líderes já estão alinhados ao governo estadual, que, além de controlar a máquina pública, consegue atender demandas imediatas por meio de programas e investimentos. Nesse cenário, a adesão a Neto exige um salto de fé político que poucos estão dispostos a dar sem garantias reais.
Da redação od 40 Graus.