Polícia “Bruno e Dom”
Justiça Federal torna réu “Colômbia”, acusado de mandar matar Bruno Pereira e Dom Phillips
Líder de organização criminosa é acusado de ordenar os assassinatos para proteger esquema de pesca ilegal na Terra Indígena Vale do Javari.
22/07/2025 12h30
Por: F. Silva Fonte: Com informações do Bahia Notícias

A Justiça Federal aceitou, nesta segunda-feira (21), a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e tornou réu Rubens Dario Villar, conhecido como “Colômbia”. Ele é acusado de ser o mandante dos assassinatos do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, ocorridos em junho de 2022, nas proximidades da Terra Indígena Vale do Javari, no extremo oeste do Amazonas.

A denúncia foi apresentada pelo procurador da República Diego Rodrigues Leal, com o apoio do Grupo de Apoio ao Tribunal do Júri, e entregue à Justiça no último dia 5 de junho — data que marcou três anos do duplo homicídio. A juíza federal Cristina Lazzari Souza, da subseção judiciária de Tabatinga (AM), acolheu a acusação.

Segundo o MPF, Colômbia comandava uma organização criminosa voltada à pesca e à caça ilegais na região. Ele teria fornecido armas, embarcações e combustível para atividades clandestinas, além de garantir a compra dos produtos extraídos, posteriormente revendidos no Peru e na Colômbia.

De acordo com a denúncia, Rubens Villar teria ordenado a execução de Bruno e Dom por entender que as atividades fiscalizatórias realizadas pelo indigenista ameaçavam os interesses comerciais do grupo.

A investigação aponta que o crime foi cometido por motivo torpe, por meio de emboscada e com recurso que dificultou a defesa das vítimas.

“Há indícios de que o crime foi praticado em razão das atividades fiscalizatórias realizadas por Bruno, de encontro aos anseios comerciais do grupo de invasores da Terra Indígena Vale do Javari, supostamente liderado e financiado por Rubens Villar Coelho, o Colômbia”, afirma a decisão da magistrada.

Bruno e Dom foram mortos a tiros, esquartejados, tiveram seus corpos queimados e ocultados, assim como o barco que utilizavam. Os restos mortais foram localizados pela Polícia Federal com a ajuda de indígenas da região.

A acusação também envolve os pescadores Amarildo da Costa Oliveira, Jefferson da Silva Lima e Oseney da Costa Oliveira, réus no processo e apontados como executores dos assassinatos.

A investigação revelou contatos telefônicos frequentes entre Colômbia e os executores nos dias que antecederam o crime, além de possíveis prejuízos econômicos ao grupo decorrentes da fiscalização feita pelas vítimas.

Bruno Pereira era servidor licenciado da Fundação Nacional do Índio (Funai) e atuava desde 2019 junto à União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). Já Dom Phillips, jornalista britânico, acompanhava o trabalho do indigenista e, segundo as investigações, foi morto para impedir a divulgação do crime.

A defesa de Rubens Villar afirmou ao portal G1 que recebeu com tranquilidade a denúncia, negando qualquer ligação entre o acusado e os assassinatos. Os advogados disseram acreditar que o caso será esclarecido durante o processo, e que o réu será absolvido.

Colômbia segue preso preventivamente. Já na sexta-feira (18), o MPF solicitou que o julgamento dos acusados seja transferido para Manaus. Todos os réus serão submetidos a júri popular.

Fonte: Bahia Notícias.