Polícia “Oruam”
Justiça do Rio de Janeiro decreta a prisão de Oruam por associação ao tráfico e agressão a policiais
O rapper é acusado de proteger menor foragido, atacar viatura e fugir para o Complexo da Penha; ele é filho de Marcinho VP, líder do Comando Vermelho.
22/07/2025 11h54
Por: F. Silva Fonte: Com informações do G1

A Justiça do Rio de Janeiro expediu na manhã desta terça-feira (22) um mandado de prisão contra o rapper Oruam, nome artístico de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, de 22 anos. Ele foi indiciado por seis crimes, após ter supostamente impedido a apreensão de um adolescente procurado pela Justiça e atacado policiais civis durante a ação.

Segundo a Polícia Civil, Oruam, que é filho do traficante Marcinho VP — um dos chefes do Comando Vermelho —, tentou proteger o adolescente de 17 anos conhecido como “Menor Piu”, considerado um dos maiores ladrões de veículos do estado e segurança do traficante Doca, “dono” do Complexo da Penha. O artista teria ajudado o jovem a escapar, atacando os policiais com pedras e incentivando confrontos.

Ataque à polícia e fuga para a Penha

O episódio ocorreu na residência do rapper, no bairro do Joá, Zona Oeste do Rio. De acordo com o delegado Felipe Curi, chefe do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) estavam em diligência para cumprir um mandado de busca e apreensão contra Menor Piu, quando Oruam e seus amigos reagiram.

Como os policiais não puderam entrar na casa por ser noite, aguardaram até o adolescente sair. Ao ver o menor sendo colocado em uma viatura descaracterizada, Oruam fez postagens nas redes sociais pedindo apoio: “Quem tiver de moto, brota no Joá”, escreveu.

Curi relatou que o rapper jogou pedras contra a viatura da polícia, ferindo um dos agentes. Em seguida, desceu até a rua, xingou os policiais e incitou o tumulto que possibilitou a fuga do menor. Diante do flagrante de resistência, desacato, lesão corporal e dano ao patrimônio público, os agentes entraram na casa e prenderam um homem.

Depois do ocorrido, Oruam teria fugido para o Complexo da Penha, reduto do Comando Vermelho, e postado vídeos debochando das autoridades: “Quero ver vocês me pegarem aqui dentro do Complexo. Vocês peidam”, afirmou em um dos trechos.

Indiciamento por seis crimes

Oruam foi indiciado por tráfico de drogas, associação para o tráfico, lesão corporal, resistência qualificada, dano ao patrimônio público e desacato. Segundo o delegado Felipe Curi, "Oruam é um marginal, bandido da pior espécie e associado ao tráfico de drogas".

Além das acusações recentes, o rapper já foi preso em flagrante em fevereiro deste ano, por abrigar o traficante Yuri Pereira Gonçalves em sua casa. Na ocasião, o foragido foi encontrado com uma pistola 9 mm com kit-rajada e munição. Oruam foi liberado no mesmo dia.

Em outra investigação, o artista foi indiciado por disparo de arma de fogo após atirar para o alto em um condomínio em São Paulo, colocando em risco a vida de moradores.

Defesa e repercussão

A defesa de Oruam informou que ainda não teve acesso ao inquérito policial e, por isso, não irá se manifestar no momento.

Em meio às acusações, o rapper nega envolvimento com o tráfico e afirma ser alvo de perseguição por ser “filho de bandido”. Em vídeo postado nas redes sociais, ele disse: “Tudo o que eu conquistei foi com minha música!”

A Polícia Civil trata as declarações como confissões públicas de associação criminosa. Para o delegado Felipe Curi, os vídeos confirmam a atuação de Oruam como integrante do Comando Vermelho.

Fonte: Portal G1.