Política Eduardo Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro diz que a taxação ao Brasil foi mostrada a ele antes de anúncio
Mesmo cientes das negociações com os EUA, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo tentam transferir a culpa pelas tarifas a Alexandre de Moraes, ignorando o seu próprio envolvimento nas tratativas.
22/07/2025 09h46
Por: F. Silva Fonte: Com informações do Portal Meio Norte

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o jornalista Paulo Figueiredo admitiram nesta segunda-feira (21), que participaram de reuniões com autoridades dos Estados Unidos nas quais foi discutida a possibilidade de aplicação de tarifas comerciais ao Brasil.

A revelação contraria a declaração feita mais cedo no mesmo dia pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que negou qualquer envolvimento com a medida adotada pelo então presidente norte-americano Donald Trump.

Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda, Figueiredo afirmou que, na ocasião, ele e Eduardo Bolsonaro opinaram contra a imposição das tarifas. “Na nossa opinião, esta medida não era a melhor a ser aplicada naquele momento. Nós advogamos na direção de sanções direcionadas aos agentes principais da ditadura”, disse o jornalista, referindo-se ao que classificou como crise institucional no Brasil.

Eduardo Bolsonaro completou: “A gente não imaginou que no início fosse decretada a tarifa. Mas como o Paulo bem falou, nós não somos o presidente dos Estados Unidos. Não temos o poder da caneta.”

Apesar da posição inicial contrária, Figueiredo afirmou durante o podcast que atualmente está “100% convencido” de que a medida adotada por Trump foi a decisão correta para o Brasil.

O deputado concordou com a avaliação: “Eu concordo. Tanto que chamo de Tarifa-Moraes. Foram tarifas de 50%, a maior dessa última leva, devido à crise institucional que o Moraes está fazendo”, afirmou, referindo-se ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

Eduardo ainda argumentou que a liberdade de expressão está acima de qualquer pauta econômica. Ele ilustrou seu ponto com um exemplo hipotético: “Se alguém que trabalha com aplicativo for taxado em 50% e quiser reclamar, talvez seja calado. Antes de qualquer questão comercial, vem a liberdade. Se não puder falar, dar a sua opinião, você vai ser um escravo, um cubano. Queremos preservar as liberdades da nossa democracia.”

A Polícia Federal já investiga possíveis articulações de membros do governo Bolsonaro com autoridades estrangeiras, incluindo norte-americanos, em ações voltadas a desestabilizar as instituições brasileiras.

(Com informações da CNN Brasil).