Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), avaliam que a declaração do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em defesa de Jair Bolsonaro (PL), não terá qualquer impacto nos processos que envolvem o ex-mandatário brasileiro na Corte. A informação foi divulgada pela colunista Bela Megale, do jornal O Globo.
Segundo a reportagem, cinco ministros ouvidos pela coluna afirmaram que o STF não deve se manifestar sobre declarações de Trump, classificando o episódio como de natureza puramente política. “Os reflexos são na esfera política e já houve resposta do presidente Lula. Não vejo consequência para o Supremo”, disse um dos magistrados.
A percepção interna no STF é de que manifestações internacionais desse tipo já eram esperadas, considerando o atual contexto político envolvendo Bolsonaro, e não influenciam o andamento dos julgamentos relacionados à tentativa de golpe após as eleições de 2022.
Um dos ministros chegou a comparar o caso brasileiro com a condução da Justiça dos Estados Unidos, destacando que, diferentemente da ausência de punição a Trump por incitar a invasão do Capitólio, o Judiciário brasileiro tem atuado “como fazem as democracias responsáveis”.
Em publicação feita nesta segunda-feira (7), Donald Trump afirmou que o Brasil estaria “fazendo uma coisa terrível” contra Bolsonaro, referindo-se aos processos em curso no STF. Ele classificou as ações como uma “caça às bruxas” e defendeu que o ex-presidente brasileiro seja julgado apenas “pelos eleitores do Brasil”.
Durante o encerramento da cúpula do Brics, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi questionado sobre a fala de Trump e reagiu com firmeza. “Não vou comentar essa coisa de Trump e o Bolsonaro. Tenho coisas mais importantes para comentar do que isso. Esse país tem leis, regras e um dono chamado povo brasileiro. Portanto, dê palpite na sua vida, e não na nossa”, declarou.
Mais cedo, Lula também se manifestou nas redes sociais:
“A defesa da democracia no Brasil é uma responsabilidade dos brasileiros. Somos um país soberano e não aceitamos interferência ou tutela de quem quer que seja. Temos instituições sólidas e independentes. Ninguém está acima da lei — sobretudo aqueles que atentam contra a liberdade e o Estado de Direito”.
Com informações do Metro1.