“A estimativa de 562 milhões de toneladas para a moagem de cana tem um viés de baixa. O primeiro terço da safra está em piores condições devido ao fogo e geadas de 2021 e consequentes falhas”, disse o presidente da Datagro, Plínio Nastari, em evento em Ribeirão Preto.
Segundo a consultoria, 44,7% da matéria-prima será destinada para a produção de açúcar, contra 44,9% na temporada anterior.
Nastari disse, no entanto, que há um “ponto de interrogação” que pode influenciar o mix de produção das usinas, que é a definição do governo sobre a interferência nos preços dos combustíveis da Petrobras (PETR4) algo que influenciaria as cotações do etanol.
“A incerteza sobre a política de preços de combustíveis no Brasil… vai continuar trazendo insegurança para a retomada de investimentos na produção de biocombustíveis”, disse ele.
A produção total de etanol do centro-sul (incluindo o biocombustível de milho) deve alcançar 29,8 bilhões de litros em 2022/23, ante 27,7 bilhões litros no ciclo anterior.
O presidente da Datagro considerou a queda no rendimento industrial um ponto importante para o ciclo atual, cuja estimativa é de 138 quilos de açúcar total recuperável (ATR) por tonelada de cana, contra 142,9 na safra anterior.
O ATR total da temporada foi estimado em 77,6 milhões de toneladas, acima dos 75 milhões vistos na safra passada, porém com viés de baixa, afirmou o especialista.
“Então é uma situação ainda difícil, o ano de 2021/22 foi um ano de redução muito forte da oferta de ATR em relação a 20/21… Mas embora a moagem de cana possa ser maior este ano, em oferta de ATR, a gente ainda está em uma situação muito próxima da que foi vivida em 2021/22.”