Política Zé Cocá!
Zé Cocá é o preferido de ACM Neto para vice em 2026, mas alinhamento com PT cria impasse
Liderança do PP em ascensão no interior baiano pode reforçar chapa da oposição, mas proximidade com petistas gera dúvidas sobre a aliança.
23/06/2025 18h37
Por: F. Silva Fonte: Com informações do Metro1

Por Redação | Análise Política

O nome do prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), desponta como principal aposta de ACM Neto (União Brasil), para compor a chapa majoritária da oposição na disputa pelo governo da Bahia em 2026. A escolha é estratégica: Cocá tem força regional consolidada em um dos principais redutos eleitorais do PT, o interior baiano, onde o atual governador Jerônimo Rodrigues foi amplamente vitorioso nas eleições de 2022.


Dobradinha estratégica: Neto + Cocá

Aliados próximos ao ex-prefeito de Salvador garantem que Zé Cocá é, hoje, o nome preferido de Neto para a vice. O cálculo é político e geográfico. Jerônimo venceu em 364 dos 417 municípios baianos, sendo a maioria no interior. Em contrapartida, Neto teve desempenho expressivo apenas na capital e em parte da Região Metropolitana, vencendo em apenas 53 cidades. Uma aliança com Zé Cocá poderia reequilibrar esse mapa.


De Lafayette Coutinho a Jequié: a ascensão de Zé Cocá

Zé Cocá iniciou sua trajetória política como prefeito de Lafayette Coutinho, cidade com pouco mais de 4 mil habitantes, entre 2008 e 2016. Em 2018, surpreendeu ao se eleger deputado estadual com quase 60 mil votos, figurando entre os mais votados. Em 2020, deixou o mandato para disputar a prefeitura de Jequié e venceu com margem apertada. Em 2024, foi reeleito com 92% dos votos, consolidando sua força política.


Sudoeste baiano: zona de influência

O maior ativo de Cocá é sua liderança regional. Ele possui ascendência sobre prefeitos e lideranças políticas de cidades estratégicas como Ipiaú, Itagibá, Jitaúna, Ubaitaba e Aiquara (cidade natal de Jerônimo Rodrigues). O Sudoeste e o Vale do Rio de Contas viraram seus redutos políticos, onde sua influência pode alterar dinâmicas locais.


Problema para ACM Neto: reaproximação com o PT

Apesar da preferência de Neto, há uma pedra no caminho. Zé Cocá tem se reaproximado da base petista. Essa reaproximação coincide com um desgaste interno no União Brasil, sobretudo no interior, onde prefeitos acusam Neto de “abandono” pós-eleição de 2022.


PP, União Brasil e a federação: acordo possível?

A relação entre o PP e o União Brasil pode facilitar uma aproximação, já que as duas legendas formam uma federação nacional. No entanto, no plano estadual, há divisões. Enquanto a cúpula do PP baiano se divide entre o governo e a oposição, o pragmatismo político pode levar ao acordo.


Fator PSD: a peça que falta no quebra-cabeça

Outro fator que pode influenciar a costura das alianças é o comportamento do PSD em nível nacional. A possibilidade de o partido romper com o PT na eleição presidencial de 2026 pode mexer com o xadrez baiano, onde o partido é forte e tem presença na base do governo Jerônimo.

Conclusão: Bahia em modo pré-eleitoral

O cenário político baiano se aquece com movimentos silenciosos, reaproximações e escolhas estratégicas. A definição de nomes como Zé Cocá e o comportamento de partidos como PP e PSD serão determinantes para o reposicionamento da oposição, que tenta equilibrar forças com um governo estadual consolidado e um PT ainda forte no interior.

Resumo final: Zé Cocá pode ser o trunfo de ACM Neto, mas sua costura com o PT torna a jogada de alto risco. Enquanto isso, o tabuleiro baiano segue em compasso de espera — mas pronto para o primeiro movimento decisivo.

Com informações do Metro1.