Política Palmas
Prefeito de Palmas é alvo da Polícia Federal em operação contra venda de sentenças
Eduardo Siqueira Campos teve casa vasculhada e passaporte apreendido; ação faz parte da Operação Sisamnes, que investiga esquema nacional de corrupção no Judiciário.
30/05/2025 12h35 Atualizada há 1 ano
Por: F. Silva Fonte: Portal Meio Norte

PALMAS (TO) – A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (30) a nona fase da Operação Sisamnes, que investiga um esquema nacional de venda de sentenças judiciais, vazamento de informações sigilosas e concessão de benefícios ilegais a presos. Desta vez, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados a três suspeitos na cidade de Palmas, capital do Tocantins.

Entre os alvos está o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos). Policiais federais realizaram buscas na residência do gestor municipal, onde câmeras de segurança registraram o momento em que agentes deixaram o local com malotes após mais de duas horas de diligência. A sede da Prefeitura de Palmas também foi alvo da operação.

Durante a ação, o passaporte de Siqueira Campos foi apreendido. De acordo com a PF, há indícios de que o prefeito possa ter tido acesso antecipado a informações sigilosas de investigações em andamento. A participação exata dele no esquema ainda não foi detalhada oficialmente.

Outro investigado é o advogado Thiago Marcos Barbosa, sobrinho do governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa. Thiago já havia sido preso em uma fase anterior da Operação Sisamnes, deflagrada em março deste ano. Agora, a PF apura se ele estaria recebendo tratamento privilegiado no sistema prisional, o que pode configurar a concessão de benefícios ilegais.

Além dos alvos em Palmas, a PF também investiga um advogado de Brasília, suspeito de vazar informações sigilosas das investigações para integrantes do esquema. O nome do profissional ainda não foi divulgado.

A nona fase da operação foi autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), e amplia as apurações que já identificaram suspeitas de venda de decisões judiciais em tribunais como o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A PF afirma que os investigados desta fase teriam recebido informações confidenciais sobre futuras ações policiais, o que poderia ter comprometido a eficácia das medidas judiciais. Também estão sendo apuradas possíveis conexões com grupos de espionagem e homicídios por encomenda, desarticulados na última quarta-feira (28), quando cinco pessoas foram presas.

Na ocasião, os agentes encontraram tabelas de preços para serviços de monitoramento de autoridades, incluindo deputados, senadores, ministros e magistrados. As investigações agora buscam confirmar se esses serviços chegaram a ser contratados.

A Operação Sisamnes continua em andamento e pode revelar novos desdobramentos nas próximas semanas.

Com informações do Portal Meio Norte.