O depoimento do ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo, nesta sexta-feira (23), foi marcado por tensão e embates diretos com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante audiência do processo que apura a tentativa de golpe de Estado envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados.
Convocado como testemunha, Aldo Rebelo foi repreendido por Moraes após fazer comentários sobre a interpretação da língua portuguesa para relativizar a suposta fala do ex-comandante da Marinha, Almir Garnier Santos, que, segundo testemunhas, teria colocado tropas à disposição de Bolsonaro em 2022.
“Na língua portuguesa, nós conhecemos aquilo que se usa muitas vezes como força de expressão. Ela nunca pode ser tomada literalmente. Quando alguém diz que está frito, não significa que esteja dentro da frigideira. Ou que está apertado, não significa que esteja sendo submetido a um tipo de pressão literal”, afirmou Aldo. Ele sugeriu que, com base nessa lógica, a declaração atribuída a Garnier não poderia ser interpretada de forma literal como apoio a um golpe.
A intervenção irritou o ministro Alexandre de Moraes, que afirmou que Aldo não presenciou a reunião em que Garnier supostamente manifestou apoio ao plano golpista e, portanto, não poderia emitir juízo de valor sobre os fatos.
Ao ser advertido para ser objetivo, Aldo respondeu: “A minha apreciação da língua portuguesa é minha e não admito censura.” A declaração levou Moraes a reagir com firmeza: “Se o senhor não se comportar, vai ser preso por desacato.”
Aldo então recuou: “Estou me comportando.” Ainda assim, o episódio tornou o depoimento do ex-ministro o mais conturbado da sequência de audiências iniciada na segunda-feira (19).
Aldo Rebelo foi ministro da Defesa durante o governo Dilma Rousseff (PT) e atualmente está afastado de cargos públicos. Sua convocação gerou expectativa por seu histórico político e pelo teor do processo que investiga a suposta tentativa de golpe de Estado após a derrota eleitoral de Bolsonaro em 2022.
Réus do núcleo central da trama golpista:
Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;
Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor da Abin;
Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha;
Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa.
As investigações seguem sob responsabilidade do STF, que analisa a articulação de autoridades militares e civis em uma suposta tentativa de subverter o resultado eleitoral e impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Com informações do Bahia Notícias.