Política Anistia?
A Inversão da ordem e o desespero de Bolsonaro antes de uma suposta prisão pelo STF
O próprio ex-presidente está entre os investigados por sua suposta participação na tentativa de golpe de Estado, e seu histórico recente corrobora essa suspeita. 
16/03/2025 16h42 Atualizada há 1 ano
Por: F. Silva Fonte: Da Redação do 40 Graus

Em determinados momentos da história, testemunhamos a inversão da ordem natural das coisas. No Brasil contemporâneo, esse fenômeno se manifesta de maneira evidente nos atos promovidos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados. O evento recente realizado em Copacabana, no Rio de Janeiro, sob a justificativa de pedir anistia para os golpistas de 8 de janeiro de 2023, não passa de um grande ato político, repleto de contradições e uma confissão implícita de culpa.

A tentativa de anistia antes mesmo do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), é, por si só, um reconhecimento de que os crimes foram cometidos. Afinal, por que pedir perdão por algo que não foi feito? Essa postura evidencia o medo das consequências e a estratégia desesperada de Bolsonaro para evitar uma possível condenação.

O próprio ex-presidente está entre os investigados por sua suposta participação na tentativa de golpe de Estado, e seu histórico recente corrobora essa suspeita. 

Mais alarmante ainda é o fato de que Bolsonaro e seus seguidores, que orgulhosamente se autodenominam "gado", continuam a atacar as instituições democráticas do país. O STF, o presidente Lula e, em especial, o ministro Alexandre de Moraes, são constantemente alvos de discursos de ódio e deslegitimação. Curiosamente, parece que Moraes é o único ministro lembrado pelos bolsonaristas, como se não houvesse outros integrantes na Suprema Corte.

O desespero é palpável. Com o julgamento se aproximando, Bolsonaro e sua família dobram a sua aposta, promovendo eventos políticos e buscando apoio para uma anistia que não faz sentido moral ou jurídico. A ironia se faz presente: o mesmo Bolsonaro que, enquanto presidente, dizia "Não quer ser preso? Não cometa crimes" agora pede clemência para aqueles que vandalizaram as sedes dos Três Poderes. Sua retórica de combate implacável ao crime e à corrupção se esvai diante da conveniência política. Afinal, para Bolsonaro, a justiça só é válida quando é aplicada aos outros.

A tentativa de reescrever os eventos de 8 de janeiro como uma manifestação pacífica é tão absurda quanto ineficaz. As imagens da invasão ao Congresso, ao STF e ao Palácio do Planalto estão gravadas na memória do Brasil e do mundo. As mentiras repetidas à exaustão podem enganar alguns, mas não apagam os fatos.

O que resta agora é esperar pelo desenrolar dos processos e pela atuação do STF. Se Bolsonaro e seus aliados forem condenados, estarão provando do próprio veneno, pois sempre foram defensores de uma justiça implacável contra seus adversários. O jogo virou, e a inversão da ordem que agora presenciam é, na verdade, apenas a justiça seguindo seu curso.

Da Redação do 40 Graus.