Política PDT
PDT na Bahia: O retorno à base petista está praticamente selado
Conversas entre o deputado Félix Mendonça Júnior, presidente estadual da sigla, e a articulação política do governo Jerônimo Rodrigues estão bastante avançadas e devem resultar em acordo nas próximas semanas.
12/03/2025 15h46
Por: F. Silva Fonte: Portal Metro1

Reaproximação com o Palácio de Ondina

Integrantes da cúpula do PDT na Bahia dão como certa a volta do partido à base aliada ao PT. Segundo eles, restam apenas ajustes pontuais para que o acordo com o Palácio de Ondina seja oficializado.

"Hoje, esse processo se tornou irreversível. Internamente, o retorno ao bloco petista já é tratado como favas contadas. A expectativa agora não é mais se vamos retornar, e sim, quando o retorno será anunciado de forma oficial", afirmou um membro da Executiva Estadual do PDT.

A informação foi confirmada também por lideranças de partidos aliados, que têm assento no Conselho Político do governo Jerônimo Rodrigues (PT).

Histórico da Ruptura

O presidente estadual do PDT, deputado federal Félix Mendonça Júnior, confirmou a aliados próximos que as negociações com a articulação política de Jerônimo avançaram significativamente. Ele sinalizou disposição para reatar os laços rompidos com o PT há dez anos, quando entrou em conflito com o então governador Rui Costa.

Em janeiro de 2015, após uma série de atritos entre Félix Júnior e Rui, o secretário de Relações Institucionais da época, Josias Gomes, formalizou a saída do PDT da base governista. Desde então, o partido passou a caminhar ao lado do ex-prefeito ACM Neto (União Brasil).

PDT em Salvador: Independência Mantida

Apesar do iminente retorno ao grupo petista, Félix Júnior garantiu aos caciques da legenda que, a princípio, o acerto com o governo do estado não impactará a posição do PDT em Salvador.

Atualmente, o partido ocupa a vice-prefeitura, com Ana Paula Matos, e mantém cargos no primeiro e segundo escalões da gestão municipal, além de quatro cadeiras na Câmara de Vereadores.

Em declarações recentes à imprensa, Félix Júnior afirmou que "não há qualquer acordo para apoiar uma eventual candidatura de ACM Neto ao governo em 2026". Um parlamentar próximo ao pedetista reforçou: "Ele não esconde insatisfações antigas com Neto, mas mantém excelentes relações com o prefeito Bruno Reis".

Articulador nos Bastidores

A ponte entre o governo Jerônimo e o PDT tem sido conduzida pelo ex-prefeito de Euclides da Cunha, Luciano Pinheiro. Pedetista de carteirinha, Pinheiro é a maior aposta do partido para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) em 2026.

Mesmo quando o PDT apoiou ACM Neto na eleição estadual de 2022, Pinheiro permaneceu próximo aos petistas, com aval de Félix Júnior. Em 2024, elegeu seu sucessor em Euclides, Heldinho Macedo (PDT), com o apoio do PT. Agora, ele articula intensamente para oficializar a entrada do PDT na base de Jerônimo.

Negociações em Andamento

No último dia 24, Luciano Pinheiro e Heldinho estiveram em Salvador para receber viaturas da Polícia Civil destinadas a Euclides da Cunha. Durante a visita, conversaram com o secretário estadual de Relações Institucionais, Adolpho Loyola, que lidera as negociações para consolidar a aliança entre o PDT e o governo.

Loyola já iniciou diálogos diretos com Félix Júnior, intermediados por Pinheiro. Além disso, o presidente do PDT baiano já teve um encontro com o ministro da Casa Civil, Rui Costa. Uma nova reunião está prevista para ocorrer em Brasília, com a presença do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, atual ministro da Previdência.

Impacto na Composição Partidária

Caso o retorno do PDT à base governista se concretize, dois parlamentares da legenda, que hoje integram a linha de frente do União Brasil na Bahia, poderão enfrentar dificuldades para permanecer no partido.

O primeiro é Emerson Penalva, único deputado estadual pedetista na AL-BA. Ligado ao prefeito Bruno Reis, ele dificilmente seguirá com Jerônimo na Assembleia ou na disputa pelo governo estadual.

O segundo é o deputado federal Leo Prates, um dos aliados mais fiéis de ACM Neto. Sua permanência no PDT poderá se tornar insustentável, forçando uma possível mudança de partido.

Impacto na Política Municipal

Apesar das mudanças em nível estadual, o provável retorno do PDT à base petista não deve alterar, num primeiro momento, a rota política da vice-prefeita Ana Paula Matos e dos quatro vereadores da legenda em Salvador: Roberta Caires, Anderson Ninho, Omarzinho Gordilho e Débora Santana.

Isso, claro, a menos que algum deles decida concorrer a um cargo na Câmara dos Deputados ou na Assembleia Legislativa. Nesse caso, novos realinhamentos políticos poderão ocorrer.

Fonte: Portal Metro1.