Política Lula
Lula terá em Gleisi 7º articulador político, e pasta é uma das mais mexidas em seus 3 governos
A reforma ministerial promovida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), teve início com mudanças em uma das pastas mais instáveis de suas três gestões: a articulação política.
01/03/2025 12h06
Por: F. Silva Fonte: Bahia Notícias

A reforma ministerial promovida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), teve início com mudanças em uma das pastas mais instáveis de suas três gestões: a articulação política. Desde 2003, seis ministros ocuparam o cargo de Relações Institucionais, e, em breve, a função será assumida por um sétimo nome: Gleisi Hoffmann (PT). Essa alteração ocorre no mesmo momento em que Lula anunciou, na terça-feira (25), a troca da ministra da Saúde, Nísia Trindade, por Alexandre Padilha (PT), que até então comandava a articulação política do governo.

Padilha, que tomará posse no Ministério da Saúde no dia 10, teve sua atuação na articulação política marcada por embates com o centrão, especialmente com Arthur Lira (PP-AL), então presidente da Câmara dos Deputados. Seu trabalho foi alvo de críticas e resistências dentro do Congresso, dificultando a construção de consensos para a agenda governamental. Com a sua saída, a missão de coordenar o diálogo com o Legislativo passa para Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT.

A alta rotatividade na pasta de Relações Institucionais não é um fenômeno isolado no governo Lula. Apenas o Ministério da Previdência apresenta uma rotatividade semelhante, com sete ministros diferentes ao longo das gestões petistas, desconsiderando o período tampão de Carlos Eduardo Gabas, que assumiu temporariamente a pasta no fim do segundo mandato de Lula.

A escolha de Gleisi para a articulação política foi anunciada nesta sexta-feira (28), após uma disputa que envolveu nomes do próprio PT e de outras legendas. A decisão reforça o protagonismo do partido na interlocução com o Congresso e sinaliza uma tentativa de reorganizar a base governista em meio às dificuldades enfrentadas no parlamento.

Padilha assumiu o cargo de articulador político no início de 2023, em um contexto desafiador. A esquerda elegeu apenas cerca de um quarto das cadeiras na Câmara e no Senado, o que exigiu um intenso esforço para garantir apoio legislativo. Além disso, a mudança no modelo de articulação política, que passou de um formato centralizado no Congresso durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), para um comando mais tradicional exercido pelo Planalto, desagradou parte do centrão. Durante o governo Bolsonaro, Arthur Lira e outros líderes parlamentares tinham maior autonomia na negociação de pautas e na distribuição de recursos, algo que se alterou significativamente com a vitória de Lula.

Com a nova configuração ministerial, Lula busca fortalecer sua governabilidade e aprimorar o diálogo com o Congresso, tentando consolidar uma base de apoio mais estável para aprovar suas principais políticas e reformas. A atuação de Gleisi Hoffmann será determinante para o sucesso dessa estratégia e para garantir maior coesão dentro do governo.

Fonte: Bahia Notícias.