Após ficar indignada com uma cena de automutilação dentro da escola, na cidade de Conceição do Almeida, a cerca de 167 km de Salvador, a jovem Mariana Nunes decidiu criar um projeto de lei sobre saúde mental e enfrentou o prefeito do município no interior baiano.
Em 2020, aos 18 anos, ela criou a 'Rede Autoestima-se', quando a pandemia escancarou esse problema no país. A moça criou uma teia de psicólogos voluntários, que fizeram mais de mil atendimentos de maneira remota, voltados a mulheres e jovens em municípios brasileiros.
De acordo com a Folha de São Paulo, em maio deste ano, a partir da Rede de Atenção Psicossocial do SUS de 2013 a 2023, os registros de ansiedade entre crianças e jovens superaram os de adultos pela primeira vez na história.
A taxa de pacientes de dez a 14 anos atendidos pelo transtorno é de 125,8 a cada 100 mil e a de adolescentes, de 157 a cada 100 mil, afirma a Folha. Já com relação aos maiores de 20 anos, a taxa é de 112,5 a cada 100 mil, considerando a análise feita de 2023.
Mariana Nunes, foi reconhecida pela Ashoka como Jovem Transformadora no ano de 2021. Aos 19 anos, ela precisou deixar sua casa para estruturar a organização em São Paulo após o crescimento da rede. Fez parcerias com psicólogos, universidades e centros públicos de atendimento psicossocial.
"Comecei a ir embora de casa com 17 anos. Passava 15 dias fora e voltava. Depois ia mais um pouquinho. Foi assim que me acostumei a ficar longe das mulheres da minha vida. De mainha, da minha avó Margarida, da minha cachorra, do meu quarto, da minha cidadezinha”, disse ela.
“Botei o projeto na mala e trouxe para a Câmara dos Vereadores da minha cidade. Envolvi o povo da escola, meus amigos, íamos todos para a sessão. E, com isso, conseguimos aprovar cinco leis, de saúde mental a meio ambiente. Até ganhei moção de aplauso, só que hoje nada funciona. Ficou no papel. Briguei com vereador, fui ameaçada pelo prefeito”, acrescentou.
“Eu convivia com meninas que tinham tentado cortar os pulsos, que se arranhavam, que tomavam laxante em busca de uma barriga reta. E eu não encontrava espaços na escola para falar sobre isso, não havia apoio psicológico”, revelou a moça.
“Quando chegou a pandemia, os problemas de saúde mental ficaram à flor da pele. Era a hora de agir. Eu me conectei com conhecidos do Parlamento Jovem, entrei em grupos no Facebook e comecei a recrutar psicólogos voluntários. Em abril de 2020, mais de 80 profissionais se candidataram. Fiz um post e vieram cem respostas. A telemedicina tinha sido liberada. Optamos por psicoterapia focal para mulheres e jovens vulneráveis com sessões semanais de 45 minutos durante 3 meses.”, destacou.
Do Metro1.