MK diz que Bolsonaro testa os limites da democracia para causar ruptura

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Em comentário na Rádio Metrópole, na manhã de hoje (27), Mário Kertész voltou a demonstrar preocupação com a escalada do governo Jair Bolsonaro rumo a uma ruptura institucional e democrática.

MK relembrou o processo que levou à instauração da ditadura militar em 1964 e fez questão de ressaltar que, à época, a ideia era fazer uma “revolução saneadora” para acabar com a corrupção e a “ameaça comunista”, com a realização de eleições no ano seguinte.

No entanto, os militares seguiram no poder e endureceram ainda mais o regime até a decretação do Ato Institucional nº5 (AI-5), que oficializou a perseguição aos opositores, com censura e torturas.

“Acontece que não foi nada disso que aconteceu e a gente viu. E olhe que boa parte da população, sobretudo a classe média, que hoje é grande apoiadora de Jair Bolsonaro, foi pras ruas na “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”. Na época não eram os evangélicos, mas a Igreja Católica Apostólica Romana, que levou multidões de senhoras e senhores tementes a Deus, bons cristãos, defensores da família, tradição e propriedade. Isso tudo para chegar ao momento no qual nós estamos vivendo agora”, analisou.

MK rechaçou a postura de Bolsonaro e avaliou que ele vive em constante choque com o Congresso, testando os limites da democracia. “O presidente Bolsonaro não quis governar com um sistema de coalizão com o Parlamento, ignorou o Parlamento e os partidos, tenta criar um novo partido, em constante choque com o Congresso Nacional. Não tem e não procura ter base no Congresso, então parte pra quê? Para o confronto. Pra ver até onde consegue chegar, até onde as instituições vão se acovardar e dizer “não, é só um pouquinho”, disse.

MK ainda citou o poema “Intertexto”, do alemão Bertolt Brecht (1898-1956), para diagnosticar a apatia da parcela da população que não concorda com a conjuntura política. “As pessoas não reagem, não se manifestam, ficam esperando. Na realidade, se as chamadas instituições democráticas não reagirem, e se a parcela do povo brasileiro que não está disposta, porque tem uma parcela do povo brasileiro que quer isso mesmo, que acha que tem que ter regime militar. Agora, a gente precisa saber o que é que a maioria da população brasileira quer, se a maioria vai sair no dia 15 de março e defender o ponto de vista do presidente. Se for, vai-se caminhar inevitavelmente pra isso. Se não for, pode chegar até um confronto. Acontece que o governo tem a força e as armas, e se achar que o limite que ele vai empurrando ainda é pouco, pode chegar à primeira “ditabranda”, como um filósofo de araque disse aí. Quando ela ficar dura e entrar em lugares indevidos, que a população não queira, aí não vai ter mais jeito, vai ter que engolir. Um dia vai acabar também, como acabou a de 1964, mas até lá, quantos vão sofrer?”, questionou.

Fonte: Portal Metro 1.


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Fredson Silva

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