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Delegado Waldir: talvez fosse a caso de convidá-lo à retornar a Bahia.

O delegado Waldir disse que a Bahia é um lixo. Depois, disse que não disse. Uns acreditaram, outros nem tanto e houve uma chiadeira geral, principalmente dos políticos, muitos deles, inclusive, pela proximidade com o Deputado/Delegado e cada qual querendo tirar uma fatia de revolta e, quem sabe, conseguir mais um pouco de votos.

A fala de Waldir não tem nada demais, seja por não traduzir a verdade, seja porque ele não é o dono da verdade. Não precisamos ir para a praça pública execrar Waldir, mas talvez fosse a caso de convidá-lo a retornar à Bahia, para mostrar a ele a nossa historia, afinal, com certeza, ele não sabe que o Brasil nasceu aqui, que Tomé de Souza fez deste porto, um tanto do Brasil e, como tudo nasceu aqui, ele também é um pouco baiano.

Talvez ele não tenha noção de que aqui nasceu o primeiro Bispado do Brasil, que temos o primeiro Legislativo, o primeiro regimento de lei, as primeiras emoções católicas, a disciplina do comércio de coisas, a primeira Faculdade de Medicina, e tantas outras coisas.

Não deve saber que aqui nasceu Rui Barbosa, bastando citar seu nome para saber da sua extensão, o maior cientista da poesia Castro Alves, Gregório de Matos, Caetano Veloso cantando a Bahia bela e dessemelhante, do amor de Jorge Amado,  de “Quincas Berro D’água”, “ do cravo e canela de Gabriela”, de João Ubaldo Ribeiro com o seu “Sorriso do Lagarto”, onde V.Exa.,  poderia ser um dos personagens. 

Aqui é a terra da comida farta, do tabuleiro de dendê da baiana, do molejo e da preguiça que faz parte de nós, da luta dos Mouros, dos Orixás, dos Filhos de Gandhi e, por isso tudo, somos livres e belos e temos certeza que não somos um lixo.

Somente em 1823 foi possível comemorar a Independência do Brasil, para além do grito do Ipiranga, pois foi aqui, na Bahia, que o foco de resistência que existia foi finalmente debelado e, com isso, além dos laureados, temos nossos heróis anônimos, os caboclos, os escravos, os gentis, os portugueses e seus descendentes que optaram pelo seu lado de paixão.

Não podemos ser um lixo, pois temos Irmã Dulce, capaz de transformar a desesperança em luxo, porquanto entendia que o único luxo que a interessava, era o da dignidade humana  e tenha a certeza Deputado, que a natureza do baiano também ajudou a formar a santidade dela.

Deve ser pesado carregar esta afronta aos baianos, logo os baianos, que têm um coração tão acolhedor.

Que os anjos e santos da Bahia, lhe faça enxergar melhor os baianos, pois, aqui meu velho, como diz o poeta: “todo mundo é d’oxum, seja tenente ou filho de pescador, ou ate mesmo, um importante desembargador. É tudo uma coisa só.”

Axé, Waldir!

*Ademir Ismerim – advogado especialista em direito eleitoral


F. Silva

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